sábado, 21 de abril de 2012

Por quê? (281) Carta aberta a Ignácio de Loyola Brandão



Ignácio de Loyola Brandão (por André Conti) e "veia bailarina"


Cláudio Amaral

Meu caro Loyola: confesso, para a posteridade, que sou leitor de sua crônica quinzenal no nosso Estadão. Eu e milhões de brasileiros. Informo também que, além de ler e reler seu texto desta sexta-feira (20/4/2012), recomendei-o aos meus parceiros de Facebook e de Twitter. Fiz mais: pedi à minha companheira de mais de 40 anos que a lesse também, e com atenção.

Em “As paredes caem, uma a uma, em Pinheiros”, você relatou o que tem acontecido na sua vizinhança – com uma riqueza de detalhes incomparável e insuperável – e ao mesmo tempo registrou o que tem acontecido em praticamente todas as regiões desta nossa metrópole.

Por exemplo: aqui na Aclimação – onde você viveu antes de ir para Pinheiros –, tem ocorrido o mesmo. Ou algo bem parecido.

Diariamente, quando eu e Sueli saímos de casa para ir à feira, ao supermercado, à padaria, à vendinha ou à nossa paróquia preferida, a Santa Rita de Cássia, vemos de perto e sentimos na pele a ganancia das construtoras e incorporadoras.

Não se espante, prezado Loyola, mas é isso mesmo: moramos numa residência de três pavimentos, na Rua Gregório Serrão, entre as ruas Machado de Assis e José de Queirós Aranha, a cerca de 300 metros da Estação Ana Rosa do Metrô.

Vivemos exatamente na via pública que divide a Vila Mariana e a Aclimação. De um lado – o nosso lado – é Aclimação e do outro lado da rua é Vila Mariana, segundo os limites estabelecidos pela Prefeitura de São Paulo.

Vivemos naquilo que chamamos de “o bairro mais agradável de São Paulo” e numa “cidadezinha do interior dentro da capital paulista”. Afinal, aqui praticamente todo mundo se conhece, se cumprimenta e convive amigavelmente. Exatamente, creio, como nos tempos em que nos conhecemos e conversamos animadamente na esquina das ruas Gregório Serrão e José de Queirós Aranha, ambos a caminho do Largo Ana Rosa.

Pois bem: entre uma saída e outra, aqui no bairro, constatamos que dezenas de casinhas – e casarões, também – já caíram pela fúria das imobiliárias aqui mesmo na Rua Gregório Serrão, entre Machado de Assis e Joaquim Távora; na Joaquim Távora e na Carlos Petit, de um lado a outro da quadra (ou quarteirão, como queira); na esquina da Carlos Petit com a Vergueiro, junto à caixa d’água, onde foi erguido um dos maiores espigões do bairro; em mais de um ponto da Rua Machado de Assis, em direção ao Parque da Aclimação, que você conhece bem, caro Loyola; e, ainda, nas vias secundárias do bairro.

Nesse avanço geral, Loyola, foram, além de muitas casas, inúmeras arvores frutíferas, entre mangueiras, amoreiras, abacateiros, goiabeiras e até jabuticabeiras, tal qual aí pelos lados da João Moura e Cristiano Viana, em Pinheiros, onde você vive atualmente.

E as consequências são semelhantes, tanto em Pinheiros quanto na Aclimação e Vila Mariana: a população e o tráfego de veículos cresceram vertiginosamente. Na mesma proporção que diminuíram as áreas verdes e cresceu a selva de pedra.

É triste, mas é verdade. A verdade da vida, prezado Loyola.

Ainda bem, meu caro, que ainda temos suas crônicas para ler a cada quinzena.

Ainda bem, Loyola, que você nos brinda com livros maravilhosos, como aquele que escreveu a respeito da saudosa Professora Doutora Ruth Cardoso.

Só me resta, agora, encontrar um livro que me foi recomendado pelo Carlos Taufik Haddad, Amigo de longa data: “veia bailarina”, que você editou pela http://www.globaleditora.com.br e que tenho procurado desde quando eu e Carlinhos, que também vive em Pinheiros, nos encontramos na missa de 7º dia de outro grande Amigo, José Paulo Prado, no início de 2012.

Tenho procurado “veia bailarina” em todos os sebos e livrarias por onde passo. Mas, até agora, nada, caríssimo Ignácio de Loyola Brandão.

Veja, portanto, que achar prédios novos de apartamentos é fácil, mas livro bem escrito como “Veia bailarina” não é mole não.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


21/4/2012 10:25:31

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