segunda-feira, 23 de abril de 2012

Por quê? (282) Judiciário: queremos transparência

Cezar Peluso X Joaquim Barbosa, por Fellipe Sampaio/STF: em nome da transparência

Cláudio Amaral

Tem muita gente condenando a pendenga que acaba de explodir no campo minado do Judiciário brasileiro. Especificamente no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Eu, não. Estou batendo palmas para os ministros do STF e pedindo: queremos mais; queremos transparência também entre os nossos mais altos magistrados.

O Judiciário do Brasil nunca foi e dificilmente poderá ser comparado a um time de futebol. Nem a uma equipe, na verdadeira acepção da palavra.

Equipe, todos nós sabemos, treina e joga unida. Não só o Barcelona, o melhor e mais exemplar time de futebol do mundo no momento. Mas também o Real Madrid e tantos outros. Até o meu Sport Club Corinthians Paulista é, verdadeiramente, uma equipe. Treina e joga em equipe.

Sim, eventualmente a equipe, por melhor que seja, também empata e até perde. Mas sempre atua como uma equipe. Ou pelo menos assim procura fazer.

E assim é também no basquete, no vôlei, no futebol de salão (que agora inventaram de chamar de futsal) e também nos esportes individuais, como o tênis, o atletismo e a natação, que não raro compete em equipe, como na Copa Davis, no revezamento 4 por 100, etc.

No Judiciário em geral e no STF em particular também deveria ser assim. Ou não?

Confesso que tenho dúvidas e que não raro prefiro que os nossos ministros tenham divergências. Afinal, são delas – as divergências, as diferenças – que surgem as melhores decisões. Ou não?

Só sei que “a unanimidade é burra”. Acredito nisso. Até que me provem ao contrário.

No que se refere ao STF, pelo menos, concordo com o editorial do Estadão de sábado (21/4/2012): “O bate-boca entre Peluso e Barbosa em nada dignifica o Supremo”. Mas acredito mais ainda nessa outra tese do jornal em que trabalhei como correspondente e repórter por mais de cinco anos: “As respostas do ministro Joaquim Barbosa às críticas que lhe foram feitas pelo ministro Cezar Peluso, um dia antes de deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal (STJ), lançaram mais luz sobre um cenário que o grande público supunha preservado de lavagens públicas de roupas sujas”.

Luz, luz, luz e mais luz. É o que “o grande público”, ou seja, nós todos, cidadãos brasileiros e pobres mortais, queremos ver sobre todos aqueles e aquelas que ocupam funções públicas no Brasil.

Luz, luz, luz e mais luz, por favor. Queremos saber em detalhes tudo o que se passa em todos os setores do Judiciário brasileiro. Assim como nos outros poderes constituídos da Nação: Executivo e Legislativo, tanto a nível municipal quanto estadual e federal.

Temos tudo a ver com isso.

Isso tudo diz respeito ao nosso dia a dia, à nossa vida, ao nosso cotidiano.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


23/4/2012 17:22:08

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