quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Por quê? (372) – Leiam e rabisquem


Cláudio Amaral

Tenho uma divergência radical com um dos meus filhos em matéria de livros: quando o exemplar é meu, leio sempre com uma caneta na mão direita. Leio e rabisco à minha vontade. Ele, não. Ele – um dos dois filhos homens que Sueli me deu – jamais fez isso e vive a me condenar por esse meu costume.

Eu já era assim antes de entrar para o curso de Licenciatura em História da FMU, em fevereiro de 2013. E lá aprendi que era necessário ler e rabiscar tudo, para depois elaborar os trabalhos que nos eram solicitados pelos nossos professores.

Mas por que eu resolvi interromper a leitura que estava fazendo nesta tarde calorenta de um dos últimos dias de 2016 e aqui estou a escrever essas bem traçadas linhas?

Simplesmente porque me lembrei dessa minha característica enquanto lia – e rabiscava com caneta vermelha – o livro do Professor Rafael Ruiz: literatura e crise – Uma barca no meio do oceano (São Paulo: Cultor de Livros, 2015).

Ruiz foi meu Professor de Literatura no IICS, o Instituto Internacional de Ciências Sociais, onde fiz o curso de Mestre em Jornalismo para Editores – Turma 2003. E desde então eu o acompanho de perto, tamanha é admiração que tenho por ele. E, claro, fui à noite de autógrafo em que Rafael Ruiz lançou este novo livro, no dia 22/9/2015.

Desde então tenho tentado ler literatura e crise – Uma barca no meio do oceano. Só agora, entretanto, arrumei tempo para praticar um dos meus “esportes” preferidos: a leitura, que, aliás, me acompanha desde quando aprendi a ler, aos cinco anos de idade.

E no final da tarde desta quarta-feira (28/12/2016), quando estava lendo – e rabiscando – o segundo parágrafo da página 55, lembrei-me de algo muito importante (para mim, pelo menos): é assim que gosto que façam os meus leitores. Especialmente aqueles que se deram ao trabalho de comprar o meu primeiro romance, lançado no dia 3/12: Um lenço, um folheto e a roupa do corpo (São Paulo: PerSe, 2016).

A maioria dos professores que tive ao longo do meu terceiro curso superior (FMU, 2013/2015) também faz assim, ou seja, rabiscam tudo o que leem. E quando perguntei a eles a razão disso, todos me disseram que assim fica fácil para explicar e ou pesquisar e ou escrever posteriormente, seja um artigo ou um trabalho.

Uma única exceção entre todos eles é André Oliva Teixeira Mendes, que nos ensinou História da Antiguidade Oriental no primeiro semestre, Historiografia no segundo, História da Arte no terceiro e Historiografia Brasileira no quinto.

Um dos mais competentes professores de História que conheço, André Oliva Teixeira Mendes trata os livros com o maior cuidado. Sejam os próprios, sejam os de terceiros. Para ele, livro não se risca, não se rabisca e nem se abre de tal maneira que venha a deformá-lo.

Os meus, não. Os meus – e refiro-me aos “meus” porque ainda pretendo publicar muitos – quero que sejam lidos e rabiscados. Muito lidos e muito rabiscados. A começar de Um lenço, um folheto e a roupa do corpo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


28/12/2016 19:34:13  (pelo horário de Verão de Brasília)

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