sexta-feira, 9 de julho de 2010

Por quê? (202) Afonso Dias


Cláudio Amaral

Certa vez, e lá se vão muitos anos, Sueli e eu estávamos hospedados na confortável residência de Anita e Luiz Augusto Michelazzo, em Ribeirão Preto (SP).

Confortável e ampla, a residência deles, que na época ficava ao lado da Cava do Bosque, praticamente no centro de “Rébis”, como eles chamam Ribeirão Preto.

Papo vai, papo vem, eu com ele e elas entre elas, eu disse a ele:

- Sempre que venho a Ribeirão Preto vou visitar meu Amigo Afonso Dias.

Na sequência, Mic retrucou:

- Dessa vez, só se você conseguir alcançá-lo num outro plano.

Fiquei branco, com certeza.

Desconhecia por completo a passagem de Afonso Dias deste mundo para um outro, que, dizem, é bem melhor (e, ainda que seja, eu ainda prefiro este em que estamos).

Afonso Dias, para quem não conheceu, era jornalista e funcionário público.

Como jornalista, trabalhou em incontáveis revistas, diários e semanários.

Como funcionário público, dava expediente na Dira, a Divisão Regional Agrícola de Ribeirão Preto, subordinada à Cati, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.

Nos conhecemos por conta da minha passagem pela Assessoria de Imprensa da Secretaria da Agricultura do Governo do Estado de São Paulo, por 18 meses, entre 1974 e 1976.

Ficamos Amigos para sempre, ou pelo menos enquanto ele esteve vivo.

Afonso Dias era um caipira exemplar: vestia-se, morava e vivia bem mas com simplicidade.

Era competente e dedicado, o Afonso Dias.

Nossa última carta, que acabo de localizar em meus guardados, é datada do tempo em que ainda não havia correspondência eletrônica:

Ribeirão Preto, 03/Março/1993.

Meu caro amigo Cláudio.

Saudações fraternas

É com o coração dilacerado e os olhos lacrimejantes que lhe escrevo esta carta. Estou vivendo terrível solidão, apesar da companhia sempre querida dos meus filhos.

No último dia 15 de fevereiro, Deus decidiu levar para o Seu Reino àquela que foi minha esposa por 40 anos, àquela mãe extremada e avó amada pelos seus netos. Sua enfermidade foi efêmera: durou apenas 41 dias. Assim, comecei o 1993 tumultuado e com uma tristeza inconsolável.

Recebi sua estimada e sempre aguardada carta, desejando-me feliz ano novo, mas os acontecimentos impediram-me de respondê-la de imediato, pelo que me excuso.

A Paula telefonou-me dando-me conta de ter-se avistado com você em São Paulo. Ela mostrou-se bastante impressionada com a atenção que lhe deu. Agradeço-lhe por mais esse seu interesse, em nome de nossa inabalável amizade.

Quanto aos jornais, a coisa ainda não se engrenou. Tudo está como antes no quartel de Abrantes.

Lembranças a todos os seus familiares e aos amigos da nossa sempre querida COMUNIC.

Um abração do

sempre amigo Afonso

Espero que Deus Todo Poderoso o tenha recebido de braços abertos, Amigo Afonso Dias.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

9/7/2010 15:40:51

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