terça-feira, 29 de abril de 2008

Por quê? (78) Questão de respeito

Cláudio Amaral

Tudo na vida é relativo, assim como toda moeda tem dois lados.

Por quê?

Filosoficamente falando, embora neste exato momento eu esteja escrevendo, o que serve para uma pessoa não é válido para outra, necessariamente.

É por isso que nos momentos de dúvida eu me coloco, ou melhor, procuro me colocar no lugar do outro.

Em geral, essa postura tem me ajudado a ver melhor o meu semelhante, a minha vida, o mundo em que vivemos e a mim mesmo.

A propósito, lembro-me de uma frase imortal: “o que eu não quero para mim, não desejo para os meus semelhantes”.

Portanto, se eu não gosto de levar fechadas no trânsito conturbado da cidade em que vivo, por que é que eu vou sair por aí fechando os outros carros que passam pelo meu ou com os quais eu cruzo nas ruas?

Se, como pedestre, eu gosto de ver respeitado o meu direito de atravessar na faixa quando junto a ela não existe sinalização luminosa especifica, por que eu devo desrespeitar o direito dos meus semelhantes passarem pela frente do meu Honda Fit na mesma situação?

Se eu gosto de ver a minha preferência preservada quando estou nas filas de bancos, de bilheterias, de compradores de cachorro quente, de caixa de supermercado..., por que eu deveria desrespeitar a vez do outro?

Se eu admiro quem trata bem a minha mãe, a minha sogra (prestes a completar 80 anos bem vividos), a minha esposa, a minha filha, os meus filhos e a minha netinha Be(bê)atriz, por que, meu Deus, eu vou destratar ou ignorar as esposas, as filhas, os filhos e os netos dos outros?

Se eu fico triste quando o meu time (o Corinthians, claro) perde, por que eu ficaria feliz diante da derrota dos demais concorrentes diretos do Timão, tais como o Palmeiras, o SPFC e o Santos FC? Prefiro (acredite, se quiser) torcer pela vitória da Ponte Preta frente ao Palmeiras e ao Guaratinguetá, por exemplo, do que pela derrota dos adversários da ´Macaca´.

Se eu não puder torcer pelo seu sucesso, caro e-leitor, jamais irei desejar o seu fracasso.

Jamais.

Tenha certeza disso.

E tem mais: mesmo que eu não goste do presidente Lula como político, nem aprove as principais decisões do governo dele, nunca irei desmerecer a pessoa, nem avacalhar a administração que ele comanda. Poderei, quando muito, apontar as minhas discordâncias e emitir minhas opiniões.
Sempre com respeito. Sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

29/4/2008 14:55:38

Nenhum comentário: