terça-feira, 8 de abril de 2008

Por quê? (71) Noite mal dormida


Cláudio Amaral


Foi, no mínimo, uma noite diferente.

Uma noite mal dormida, com certeza.

Estranho, porque há semanas eu vinha dormindo bem.

Cada vez melhor.

Acordei, na manhã desta terça-feira, espreguicei, virei de um lado para o outro, ameacei levantar, mas foi difícil.

Enfim, sentando na cama, com os pés no tapete, comecei a pensar no(s) motivo(s) de ter dormido aos pedaços.

E por que eu teria sonhado tanto entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira, 8 de abril de 2008?

Sem chegar a uma conclusão, fui para o banheiro.

Meditei, meditei, meditei... e nada.

Desci e o café da manhã também não desceu legal.

Logo pra mim que tenho no café da manhã uma das minhas melhores refeições.

Pão, café, leite, suco de berinjela com gengibre...

Tudo isso?

Pois é... nem tudo isso me fez recuperar a noite mal dormida.

De folga, bendita folga, fui à feira livre da Aclimação com Sueli e Be(bê)atriz, prestes a completar dez meses de vida.

No fim da feira, depois de comer um pastel recheado com carne de soja preparado pela Elzinha, comecei a me reencontrar.

De volta para casa, mesmo cansado, fui à luta: ótica, banco, farmácia, barbeiro, outro banco...

E não é que finalmente descobri o que havia me incomodado tanto?

As histórias que li nas mensagens de Tânia Mara a respeito dos últimos tempos de vida do tio dela que eu conheci em Marília.

Fiquei desolado, na noite de segunda-feira, quando li Mestre Irigino Camargo, o primeiro jornalista a acreditar em mim, havia falecido praticamente só, isolado do mundo, tal a gravidade da doença que o acometeu.

Ele era obrigado a andar com um cartão para se lembrar quem era e para onde deveria ir quando se perdia pelas ruas de Marília, mesmo lá estando há mais de 50 anos, seguramente.
Santo Deus!!!

Não é essa, seguramente, a vida que merece um ser humano.

Ser humano algum merece viver só, quando mais alguém que ajudou a tantos e por tanto tempo.

Como eu gostaria de ter tido tempo e coragem para passar horas, dias, semanas e meses com Mestre Irigino Camargo no fim da vida dele.

Mas, lamentavelmente, a vida profissional nos separou.

De tal forma, que só agora, quatro anos após a morte dele é que eu fico sabendo de detalhes dos tempos derradeiros de uma pessoa que me ajudou tanto e a quem sou tão grato.

Só agora, meu Deus!

Lamentável!

Lamentável e triste.

Muito triste.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

8/4/2008 23:14:44

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