domingo, 23 de junho de 2013

Por quê? (328) – Movimento cidadão


Cláudio Amaral

Dos mais lindos, emocionantes, legítimos, justos, verdadeiros, vibrantes e sensacionais o movimento que levou às ruas do Brasil mais de um milhão de pessoas nos últimos dias. Especialmente aqueles cidadãos que foram reivindicar pacífica e ordeiramente.

Mas eu, confesso, não fui. E os motivos são muitos. Inúmeros. E não é porque me sinta velho nos meus 63 anos bem vividos. Não. Estou forte e bem-disposto. Tão ou mais do que nos tempos em que engrossei as fileiras dos movimentos pelas Diretas já e pelo impedimento do presidente collorido.

Primeiro porque estava em provas no curso de História da FMU/Liberdade/SP e minha prioridade era estudar o suficiente para não ficar de exame. Em vão, porque, por mais que tenha estudado, precisei enfrentar dois exames entre as sete disciplinas do primeiro semestre.

Segundo porque fiquei em dúvida se estava preparado, verdadeiramente, para defender os mais elementares direitos dos cidadãos que vivem no Brasil.

Na dúvida, parei e pensei: que cidadão sou eu? Tenho certidão de nascimento? Sim. Carteira de identidade? Sim. Carteira de Trabalho? Sim. Registro profissional como Jornalista? Sim. Já fui condenado pela Justiça alguma vez? Não. Tenho a ficha limpa, politicamente? Sim. Residência fixa? Sim. Certidão de casamento? Sim. Registrei, criei e eduquei corretamente os meus três filhos? Creio que sim.

Sim, oito vezes sim. E apenas uma vez não. Ufa!

Mas e daí? Isso é tudo que eu preciso para me considerar ou ser considerado um cidadão, verdadeiramente?

Tenho cá minhas dúvidas. E parei e pensei em mais algumas questões importantes: 1) como cidadão, eu cumpro todas as leis de trânsito ou costumo passar no farol vermelho, vez ou outra, quando estou a dirigir meu Honda Fit ou caminhando? 2) sou solidário com as crianças, os jovens, os adultos e os idosos quando vejo um desses cidadãos em dificuldade nas ruas do meu bairro, da minha cidade, do meu País ou fora daqui? 3) costumo parar meu automóvel em local impróprio, como, por exemplo, a porta da garagem do meu vizinho ou de quem quer que seja, conhecendo ou não o meu semelhante que paga impostos como eu? 4) ah… pago sempre em dia as minhas contas ou deliberadamente faço pouco caso para com aqueles a quem devo? 5) pego na mão grande os objetos que não me pertencem, tais como jornais, revistas, livros, discos, aparelhos eletrônicos ou mesmo alimentos, roupas e brinquedos? 6) respeito as faixas de pedestres?

Na dúvida, preferi ficar em casa ou na escola, estudando e me dedicando a aquilo que era minha prioridade número 1 nas últimas semanas. E mais: decidi que só irei às ruas quando tiver plena certeza de que sou um cidadão na verdadeira acepção da palavra.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


23/06/2013 19:34:06

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