quinta-feira, 7 de julho de 2016

Por quê? (367) – O choro de Rildo


Cláudio Amaral

Nem todos nós entendemos, de cara, o choro do jogador de futebol Rildo, logo após marcar o terceiro gol do Corinthians, na partida em que o Timão venceu o Flamengo por 4 a 0, domingo (03/07/2016), no Itaquerão, em São Paulo. Repórteres e narradores de emissoras de rádio e televisão se arriscaram a explicar o motivo, mas teve gente que zombou de Rildo.

Ele? O jogador se explicou. Em poucas palavras, mas disse, por exemplo, à repórter Joanna de Assis, do SporTV, que havia feito um desabafo pelo longo tempo que ficou fora dos gramados (294 dias). Mas o fez rapidamente. Se pudesse, e tempo tivesse, Rildo de Andrade Felicíssimo, nascido em São Paulo, Capital, no dia 20/03/1989, teria passado muito mais tempo detalhando o quanto sofreu desde que chegou ao time do coração.

Rildo, que tem 1,81 metro de altura, veste a camisa 19 e fez apenas um jogo como titular do Corinthians, certamente teria se lembrado de tudo o que viveu no Timão, desde que foi apresentado no Centro de Treinamento Dr. Joaquim Grava, numa quarta-feira, 8 de julho de 2015, ou seja, há exatamente um ano.

Na ocasião, Rildo se declarou “mais um louco do bando”, referindo-se ao fato de que os torcedores alvinegros são conhecidos como “um bando de loucos”. E lembrou um jogo no Pacaembu, em 2004, entre Corinthians e Goiás, vencido pelo Timão por 1 a 0, com gol de Fábio Baiano. Recordou que o gol foi marcado na meta da entrada do Estádio Dr. Paulo Machado de Carvalho. E deu detalhes: “Eu estava lá. Estava com tênis desamarrado; na hora que o Fábio Baiano fez o gol, dei um chute no ar e o tênis caiu lá dentro do campo. Tive que esperar o fim do jogo para pegar o tênis de volta”.

Sobre a Fiel, como é conhecida a torcida do Corinthians, Rildo, se pudesse, teria lembrado do que disse na apresentação: “A torcida do Corinthians dispensa comentários; está sempre incentivando o time e agora vou trabalhar para cair nas graças da torcida”.

E como conquistar a Fiel, Rildo? Além de confirmar que é torcedor Corinthiano e elogiar a torcida, ele também falou sobre a maneira como quer conquistar o “bando de loucos”: “Com muito trabalho. Tenho qualidades, vou acrescentar raça, que é o que a torcida pede nos jogos. Acompanhei quando estava vindo para cá, vi como a torcida é grande e como pede vontade e raça. É isso que vou procurar dar”, de acordo com registro feito no http://globoesporte.globo.com pelos repórteres Carlos A. Ferrari e Diego Ribeiro.

Rildo foi para o Corinthians porque ficou fora dos planos da Ponte Preta de Campinas, time ao qual estava ligado. Tivera atrito com a equipe do técnico Guto Ferreira. Após vestir a camisa do Timão, o jogador declarou: “Essa é a oportunidade da minha vida. Jogando em grande clube como o Corinthians, tudo o que fazemos toma uma dimensão grande. Estou preparado. Vocês vão ver um novo Rildo a dar alegria à torcida”.

Certamente ele não sabia o que o esperava a partir do primeiro dia da nova etapa de sua carreira, que começou no São Bernardo, no ABC paulista, e seguiu por outros cinco clubes: Fernandópolis (SP), Ferroviária (Araraquara, SP), Vitória da Bahia, SantosFC e Ponte Preta, onde, em 2013 foi campeão paulista do interior.

No Corinthians, Rildo foi o escolhido para substituir Malcom, contra o Joinville, mas ficou apenas três minutos em campo. Numa de suas primeiras jogadas o atacante caiu em cima do próprio ombro e teve  uma luxação. E lá se foram dois meses de recuperação. Depois vieram outros problemas: infecção geral às vésperas do fim de 2015, inflamação no ombro em janeiro de 2016, um trauma no pé esquerdo em março, uma torção no tornozelo esquerdo e uma fratura do osso navicular do mesmo pé esquerdo em abril, que resultou em novo afastamento por mais dois meses. 

Nem assim Rildo perdeu as esperanças de ser titular do time que leva no coração. E seguiu disposto a reconquistar espaço no Corinthians, com o qual tem contrato até o fim de 2016. Ele tem ciência de que a renovação dependerá do desempenho que apresentar nos jogos em que for aproveitado daqui para frente. “Se a sorte ajudar”, publicou o site http://tudotimao.com.br no dia 30/6/2016, ou seja, três dias antes do jogo com o Flamengo na Arena Corinthians.

Em resposta, se pudesse, ele certamente teria lembrado a frase que pronunciou no dia da apresentação CT Joaquim Grava, há um ano: “Sou o Rildo, chego para mostrar muito trabalho. Espero dar alegrias à Fiel”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


07/07/2016 11:52:49 (pelo horário de Brasília)

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