sexta-feira, 8 de julho de 2016

Por quê? (368) – Fustel de Coulanges, Historiador.


Cláudio Amaral

Do nada, mas do nada mesmo, acordei nesta madrugada de 08/07/2016 com um nome na cabeça: Fustel de Coulanges. E, uma vez acordado, fiquei a me perguntar: quem é ele? onde foi que ouvi falar dele? quem me falou dessa pessoa?

Levantei, tomei banho, me troquei e vim ao computador para pesquisar. Estava curioso para saber, por exemplo, se Fustel de Coulanges era uma pessoa, um homem, uma mulher ou um fantasma. E, principalmente, se existia alguém com esse nome.

O Google me levou à maioria, mas não a todas as respostas que eu procurava. Clicando neste linque https://pt.wikipedia.org/wiki/Numa_Denis_Fustel_de_Coulanges fiquei sabendo que a pessoa em questão é do sexo masculino, se chamou Numa Denis Fustel de Coulanges, nasceu em Paris a 18/3/1830, morreu em Massy [(https://pt.wikipedia.org/wiki/Massy_(Essonne)] a 12/9/1889 e foi um Historiador positivista e “gênio do século XIX”.

Soube ainda que a obra mais conhecida produzida por Fustel de Coulanges foi A Cidade Antiga (Lá Cité Antique), publicada em 1864.

A Cidade Antiga? Esse nome me trouxe à memória, de imediato, a figura marcante de um Professor que tive no curso de Licenciatura em História na FMU (2013/2015): André Oliva Teixeira Mendes. E sem perder tempo fui à busca dos meus apontamentos (sim, porque anotei tudo o que puder em todas as aulas dos seis semestres de História; anotei e depois passei a limpo neste mesmo computador).

Bingo! Nos apontamentos do primeiro semestre, aula de 11/3/2013, uma segunda-feira, quando estudávamos História da Antiguidade Oriental, lá estavam eles: o Professor André Oliva e o Historiador Fustel de Coulanges.

Citando Fustel de Coulanges, Auguste Comte (1798/1857 – Filósofo francês, apontado como fundador da Sociologia e do Positivismo) e o brasileiro José de Alencar (1829-1877, autor do clássico O Guarani), o Professor André nos falou naquela manhã inesquecível tanto de A Cidade Antiga quanto do surgimento dos espaços urbanos (as cidades) em função da discussão religiosa e da impossibilidade de se separar duas questões importantes: espaço urbano e política.

O Professor André Oliva nos falou ainda de inúmeros temas e nos deu incontáveis exemplos, mas alguns, especialmente, me ficaram fixados na memoria: a importância dos documentos e vestígios. A proposito, ele nos disse que “a escola metódica foi quem nos ensinou a dar valor a eles (documentos e vestígios)”. E nos deu como referências de cidades apenas duas: a abandonada Atenas e Roma, onde a cidade moderna foi comendo a antiga e hoje o Coliseu, por exemplo, “é um horror”.

Mestre André, que viria a estar conosco ao longo de quase todos os semestres, de 2013 a 2015, naquele marco de 2013 nos falou ainda da Índia e da China, que cada vez mais são invadidas pelos ocidentais; do surgimento da Família (clãs) como “pater famílias” (descendente direto do deus familiar, como Alexandre, o Grande, era descendente de Zeus); do modelo político-militar; disse que cada Família era formada por 150 a 200 indivíduos, todos nômades, que sobreviviam na base da caça, pesca e coleta; que a convivência era coletiva, ou seja, se tinha o que comer, todos comiam, mas se não tinham alimentos, todos passavam fome.

Outro tema abordado na ocasião e que vale a pena ser lembrado hoje é o Xamã, termo de origem tungúsica (https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_tung%C3%BAsicas), que nessa língua siberiana quer dizer, na tradução literal: “Aquele que enxerga no escuro”.

É por isso – mas não só por isso – que até hoje (08/07/2016) eu tenho certeza de que valeu a pena ter tomado a decisão de estudar História e, consequentemente, conhecido gente como a maioria dos colegas e coleguinhas que tive na FMU e Professores como André Oliva Teixeira Mendes, Edson Violim Júnior, Yara Cristina Gabriel, Leandro de Proença Lopes, Flávio Luís Rodrigues, Cleber Cecheti, Denise Canal, Silvia Siriani, Carlos Vismara, Cecília Martinez, Andrezza Rodrigues, Bernadete Carbonari, Victor Callari, Alexandre Claro, Márcia Matos e Guilherme Santos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).

08/07/2016 19:00:46 (pelo horário de Brasília)

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