quinta-feira, 5 de junho de 2008

Por quê? (91) Meu joelho dói


Cláudio Amaral

Eu, que sempre durmo bem, dormi mal nesta noite de segunda para terça-feira, 3 de junho de 2008.

Logo eu, que, seja onde for, encosto e durmo.

Durmo no sofá de casa vendo televisão, no banco do ônibus do Expresso de Prata entre São Paulo e Marília, no banco do ônibus da Cometa entre Franca e São Paulo, no banco do ônibus da Motta entre São Paulo e Campo Grande, nas poltronas dos aviões que já me levaram pelo Brasil e pelo mundo, e sempre me trouxeram de volta à Capital paulista, no bancos mais desconfortáveis de rodoviárias e aeroportos, etc.

Pois é: logo eu, que encosto e durmo, dormi mal na noite passada.

E, pior do que isso, acordei com dor.

- Meu joelho dói.

Foi o que eu disse assim que sentei na cama em que dormi na noite passada, no apartamento 611 do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, no Bairro do Paraíso, aqui em São Paulo.

Por quê?

Por que o quê?

Por que eu dormi mal ou por que eu dormi no hospital?

Dormi no hospital porque os médicos decidiram que Sueli, minha mulher, deveria ficar por aqui e passar por uma série de exames.

Dormi mal porque estranhei a cama.

- Mas eu nunca fui de estranhar cama alguma.

É verdade, mas estranhei.

Além de estranhar a cama, acordei com dor.

Ou será que acordei com dor porque estranhei a cama?

Não sei.

Sei apenas que estranhei a cama e acordei com dor.

Sueli, felizmente, dormiu bem.

Não tão bem quanto teria dormido na nossa cama, em casa.

Ela sempre reclama quando dorme fora de casa, comigo ou sem eu.

Desta vez, entretanto, quase não reclamou.

A reclamação ficou por minha conta.

Logo eu que não sou de reclamar (muito).

- Ai, meu joelho dói.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

5/6/2008 19:15:35

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