segunda-feira, 9 de junho de 2008

Por quê? (94) Dormi e sonhei


Cláudio Amaral

Dormi e sonhei como poucas vezes havia sonhado.

Sonhei tanto e tão intensamente, que foi difícil acordar nesta manhã de domingo, 8 de junho de 2008.

O despertador do meu telefone celular tocou exatamente às 7 horas da manhã, como todo dia ele faz.

Tentei espreguiçar e não consegui.

Fiz um esforço enorme para alcançar o aparelho, mas estava difícil.

O braço direito doía e se recusava a esticar.

Não esticava nem sequer para alcançar o celular, pousado sobre o criado-mudo em que guardo objetos pessoais de vestir, como meias, cuecas, pijamas. Relógios e canetas, também.

Logo senti que havia dormido sobre o braço direito.

Com dificuldade, levantei-me e sentei na cama.

Peguei o celular, desliguei e fui com ele para o banheiro.

Por que eu levei o celular para o banheiro?

Não sei.

No banheiro, com iluminação natural e artificial, vi marcas que comprovavam que eu havia dormido sobre o braço direito.

Relaxei e comecei a lembrar de detalhes do sonho, interrompido pelo alarme do celular.

Sonhei com um grupo de três jornalistas, que chamarei de Jô, Dê e Will.

Eu estava em Marília, num dos jornais locais e dialogava com Jô. Ele me falava de Dê, uma jovem de Franca, que hoje deve ter 26 para 27 anos.

Jô me contava que havia contratado Dê e que, ao se mudar para Marília, ela havia levado Will.

Ele, Will, entretanto, não trabalhava no mesmo jornal.

- Ele faz trabalhos esporádicos para o Estadão.

Ouvi essa frase de Jô e logo me lembrei que eu havia trabalhado como correspondente do Estadão, em Marília, por dois anos.

Jô também tinha sido repórter do Estadão em Marília, não sei se eventual ou fixo.

O sonho seguia e se mostrava meio estranho, confuso.

Nas minhas lembranças, pelo menos.

Sim, porque eu procurava localizar as reportagens de Dê no jornal de Marília e não conseguia.

Mexia em pacotes e mais pacotes de jornais e nada.

Todos me pareciam antigos, muito antigos.

Tinham a cara do velho Correio de Marília, onde trabalharam Anselmo Scarano e José Arnaldo, meu sogro, ambos falecidos. E também José Cláudio Bravos (meu cunhado) e Sueli (minha mulher).

Quando eu estava a ponto de desistir da busca intensa que fazia aos textos assinados por Dê... eis que o alarme do despertador do meu celular me acordou.

- E agora?, pensei, já me preparando para deixar o banheiro.

- E agora, volto para a cama e tento dar seqüência ao sonho e à minha busca, ou toco a vida em frente?

Não sei. Eis uma dúvida cruel. Tanto não sei que agora, quando alguém me avisa que foi dada a largada para o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1, fico a pensar o que me teria levado a sonhar com Jô, Dê e Will.

Seria saudade? Se for saudade, de quem ou do quê seria? Da Redação? Dos colegas de Redação?

Não sei. Sinceramente, não sei.

Sonhar é bom, mas invariavelmente nos deixa em dúvida, cheios de dúvidas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

8/6/2008 14:10:44

Um comentário:

Blog do Cláudio Amaral disse...

Sonhou porque as pessoas lhes são caras, gente com quem trabalhou e guardou boas lembranças.

Os sonhos são assim mesmo, a gente pensa durante o dia, registra na memória RAM, e roda o programa no período noturno.

Ivan
evangelista@univem.edu.br
Tuesday, June 10, 2008 7:22 AM