domingo, 8 de junho de 2008

Por quê? (93) Dormi ao volante


Cláudio Amaral

Como é bom dormir. Muito bom. Bom mesmo.

É sempre bom dormir.

Por quê?

Porque dormindo a gente descansa, sonha, viaja, navega, voa.

Porque dormindo a gente revê pessoas, visita e ou revisita lugares, relembra passagens agradáveis.

Porque dormindo a gente tem chance de dialogar com pessoas que estão distantes e também com aqueles que já se foram desta vida.

Dormindo, enfim, temos oportunidade de fazer o que não fazemos acordados. Seja por falta de oportunidade ou de coragem.

Dormi e durmo em qualquer lugar.

Basta encostar... e eu durmo.

Disse, em crônica recente, que já dormi e durmo muito bem em bancos de rodoviárias e aeroportos, em poltronas de ônibus e aviões.

Dormi até em banco de jardim. Sim: até em banco de jardim eu já dormi. E não foi deitado, não. Dormi sentado.

Dormir em pé? Hum... isso eu não me lembro. Creio que dormir em pé, não.

Agora, dormir ao volante?!

Essa experiência, confesso, eu nunca havia experimentado.

Nunca, mesmo. Jamais!

Mas, como tudo tem uma primeira vez... eu dormi ao volante.

Dormi sem ter tempo de me lembrar de uma frase que vi, li e repeti muitas e muitas vezes quando criança: “Quem dorme no volante, acorda no céu”.

Acredite! É serio: eu dormi ao volante.

Foi na sexta-feira, 6 de junho de 2008.

Sei que dormir ao volante é daquelas coisas que não se justificam. Sei muito bem.

Mas, o que eu posso fazer?

Eu dormi ao volante e pronto!

Como foi? Onde foi?

Eu conto. Já que você quer saber, e insiste em saber detalhes, eu conto.

Voltava eu de um dia inteiro de trabalho. Ia do trabalho para casa. Havia acordado cedo, feito ginástica, tomado banho e me trocado (claro) para estar no local do trabalho às 9 horas da manhã.

E no trabalho fiquei por dez horas seguidas.

Um trabalho sem emoção, diga-se, a bem da verdade.

Sai da Rua Michigan ao volante do meu possante, entrei à direita na segunda rua (cujo nome não me lembro) e fui até a Rua Padre Antônio. Virei novamente à direita e segui até a Avenida Santo Amaro. Entrei à esquerda e... o tráfego de veículos parou. Parou por completo.

Como eu vi que os carros demorariam a andar, puxei o breque de mão e relaxei.

Foi a conta.

Relaxei e... quando vi... ah, ah, ah... só quando eu abri os olhos, alertado pelas buzinas dos carros de trás, é que eu vi que havia dormido ao volante.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

8/6/2008 13:14:24

Um comentário:

Dea Menezes disse...

É,Claudio!
Hoje tive a mesma experiência que você, mas infelizmente não foi tão tranquilo assim, um simples dormir e pronto...
Voltando de um dia de muito trabalho também, em plena marginal Pinheiros, com o carro em movimento, dormi e acordei encostando no guardirreio... Foi barra, viu? Um susto maior que o mundo! E só tenho a agradecer, porque foi só a lata! Graças a Deus não me feri e pude chegar em casa protegida. Aff! A pior das experiências...