segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Por quê? (178) Literatura esportiva?


Cláudio Amaral

Por que a literatura brasileira ainda não tem um livro de peso a respeito do futebol, mesmo sendo esse o “esporte das multidões” no País?

Nem do futebol, quatro vezes campeão mundial entre seleções adultas profissionais e que nos deu o “Atleta do Século” (Pelé).

Nem do tênis profissional, que já nos deu competidores de renome internacional como Maria Esther Bueno, Thomaz Koch e Gustavo Küerten.

Nem do automobilismo, que só na Fórmula 1 soma 100 vitórias em grandes prêmios e fez campeões mundiais como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.

Nem no vôlei, nem no basquete, nem no judô, nem na natação, nem no atletismo, nem na ginástica..., nem..., nem...

A falta de um livro de peso em linguagem literária a respeito de qualquer esporte disputado em larga escala no Brasil e com repercussão mundial foi o principal tema da sessão das 16 horas desta segunda-feira, Dia da Independência Nacional, no 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos, a chamada “Tarrafa Literária”.

Na mediação do debate esteve um jornalista “santista nascido em São Paulo” e que está novamente radicado na Capital paulista, Vladir Lemos, apresentador do Cartão Verde da TV Cultura.

Ao lado direito dele, Xico Sá, cearense de Cariri, cidade do sul daquele Estado, torcedor do Santos FC, do Icasa de Juazeiro do Norte (CE) e do Sport Club de Recife (PE). Jornalista e cronista da Folha de S. Paulo.

Ao lado esquerdo, Matthew Shirts – ou Mateus, como diz Xico –, também do sul, mas do sul da Califórnia (EUA), que tinha tudo para ser palmeirense (tal qual a família que o recebeu em intercambio em 1976, em Dourados, na época Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul), mas optou por torcer pelo Sport Club Corinthians Paulista. Jornalista, ex-editor na Folha de S. Paulo, ele é editor da revista National Geographic no Brasil e cronista do Estadão.

Depois de mais de duas horas de análises, opiniões, ilações, informações, perguntas, repostas e alguns palavrões (duas vezes “merda”, por exemplo), sempre pronunciados por Xico Sá, a conclusão é que ninguém, nem jornalista, nem cronista, nem escritor conseguiu ainda descobrir como escrever um grande romance tendo como tema o futebol.

Ainda que, como disse Vladir Lemos, titular do http://blogdovladir.blogspot.com/, apenas nos primeiros oito meses de 2009 tenham sido editados no Brasil 58 livros a respeito de temas esportivos.

A esperança é que 2010 será o ano da Copa do Mundo da África do Sul e do centenário do Corinthians.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

7/9/2009 22:41:26

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