segunda-feira, 5 de maio de 2008

Por quê? (80) “Fenômeno”?

Cláudio Amaral

Um Amigo, com A, me questionou na manhã fria desta segunda-feira, 5/5/2008, por telefone, a respeito da entrevista que Ronaldo, o dito “Fenômeno”, concedeu à fenomenal Patrícia Poeta, repórter e apresentadora do Fantástico, o principal programa dominical da Rede Globo e da televisão brasileira.

Sem pensar, respondi:

- Não vi e tenho certeza de que nada perdi.

Pensando melhor, horas depois eu admiti pra mim mesmo que havia perdido, sim.

E perdi muito.

Perdi de agradar meus olhos com a beleza de Patrícia Poeta, de admirar a competência dela como jornalista e de analisar o desempenho da substituta de Glória Maria como entrevistadora.

Conclusão: perdi muito.

Mas, ganhei, também. E ganhei muito, com certeza, porque me livrei de encarar uma figura estranha, certamente falsa, autora de uma atitude recente no mínimo desprezível.

Dei de cara com Ronaldo pela primeira vez quando ele jogava no Cruzeiro, o principal time de futebol de Minas Gerais.

Já naquela época ele era chamado de “Fenômeno”.

- Fenômeno?, perguntei a um de meus filhos, aquele que gosta de futebol tanto ou mais do que eu.

E ele, meu filho, confirmou: “Sim, paizão, ele é um fenômeno”.

Com todo respeito que meu filho em questão me merece, discordei dele. Discordei naquela e em todas as ocasiões que se seguiram, anos a fio. Discordei inclusive quando o tal “Fenômeno” fez jogadas extraordinárias em jogos que disputou com a camisa da seleção brasileira.

Por quê?

Porque, na minha opinião, o Brasil e o mundo têm jogadores de futebol – e seres humanos – muito melhores do que Ronaldo Nazário. Dentro e fora de campo.

Citá-los, nominalmente, seria chover no molhado, mas, jogador por jogador, na atualidade, prefiro me postar ao lado de Kaká, por exemplo. E mesmo assim, o craque do Milan e da seleção brasileira, formado no SPFC, nunca foi unanimidade. Nem dentro, nem fora de campo.

Quem acompanha futebol, ainda que à distância, sabe que Kaká nunca foi bem aceito pela torcida do tricolor paulista e, vaiado seguidamente, acabou sendo vendido por muito menos do que valia. E hoje, mesmo tendo sido eleito o melhor do mundo pela Fifa, por direito e por justiça, segue sendo discriminado por conta das ligações que tem com os bispos da Igreja Renascer, a tal do que propaga por todo o mundo que “Deus é fiel”, como se nós, pobres mortais, não soubéssemos.

Portanto, se nem Kaká, que tem comportamento exemplar dentro e fora de campo, é um fenômeno, o que dizer de Ronaldo Nazário?

Fenômeno, com certeza, ele não é.

Não é, nunca foi, nem será.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, meu caro e-leitor?

5/5/2008 17:49:59

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