segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por quê? (235) Tia Zinha


Cláudio Amaral

Tia Zinha veio me visitar no início da noite deste primeiro domingo de agosto de 2011.

Vieram ela e o filho Beto, ambos Gasparetto.

Ela vive na Rua Itaboraí, no bairro da Saúde, aqui em São Paulo. Ele, próximo a São Judas.

Tia Terezinha é casada com Tio Renato e ambos têm mais três filhos: Renatinho, que vive em Porto Alegre; Reinaldinho, que mora em Miami, nos Estados Unidos; e Patrícia, que reside na Chácara Santo Antônio, também na capital paulista.

Irmã mais nova de minha mãe, Wanda Guido do Amaral, falecida ano passado, em Campo Grande (MS), e do Tio Walter, também falecido, Tia Zinha é como uma mãe para mim.

Uma mãe que me dá atenção de mãe. Ou mais que isso.

Falou comigo – ou com Sueli – todos os dias desta minha fase. Desde o pré-operatório, incluindo os três dias em que estive no Hospital Sancta Maggiore, no Paraíso, por conta do Prevent Senior.

Ao longo de longas conversas telefônicas, Tia Zinha sempre lembrou que me tem como um filho. A mim e ao meu irmão Clówis, falecido há dois anos, numa rodovia de Minas Gerais.

A mim porque desde o dia em que nasci – 3 de dezembro de 1949, em Adamantina, no interior paulista – Tia Zinha sente algo especial.

Tão especial que pegou o primeiro trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e foi de São Paulo a Adamantina para me ver. E veja bem: este percurso tem no mínimo 600 quilômetros e na época durava mais de dez horas, seguramente.

Além disso, nos anos em que minha família e eu moramos em São Paulo pela primeira vez, no fim da década de 1950, passava todas as férias, duas vezes por ano, na casa dela.

Na visita que me fez neste domingo, Tia Zinha se lembrou de tudo isso. Tudo e mais um pouco.

Lembrou também que está prestes a completar 80 anos e que Tio Renato já fez 82.

Foram quase duas horas de conversa. Altos papos. Conversa de gente que se respeita. De gente que se ama.

Entre uma lembrança e outra, Tia Zinha repetia que está com “a cabeça ruim”.

Ah! Como se fosse preciso estar com “a cabeça boa” para dizer “eu te amo como um filho”.

Ah! Como se fosse preciso estar com “a cabeça boa” para ter a generosidade de me presentear com uma correntinha de ouro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


8/8/2011 00:02:24

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