sábado, 1 de março de 2008

Por quê? (53) Fariseu ou publicano?


Cláudio Amaral


A leitura do Evangelho que nos se apresenta neste sábado, 1º de março de 2008, nos coloca literalmente contra a parede.

Por quê?

Porque nos faz meditar a respeito da narrativa envolvendo o fariseu e o cobrador de impostos (Lucas 18,9-14).

Nesta narrativa, Jesus contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros:

- Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: "Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho”.

- Mas o cobrador de impostos ficou de longe e nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: "Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!"

E Jesus terminou, dizendo:

- Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido.

Nos comentários que recebo das Paulinas ao lado do texto do Evangelho do Dia, vieram as devidas e indispensáveis explicações:

- Nesta parábola, temos a oposição radical entre dois orantes e dois tipos de oração: a oração arrogante e auto-suficiente do fariseu e a oração confiante e humilde do publicano. A oração do fariseu é típica das tradicionais orações de Israel. Aparentemente é uma oração de agradecimento a Deus. Contudo, por seu conteúdo, adquire outro sentido. O fariseu "agradece" por ser um justo, observante, diferenciado e separado dos "pecadores" como o publicano que ali estava presente. É uma oração de auto-suficiência e de desprezo aos outros, que, em nome de Deus, fundamenta uma posição de privilégios e poder. O outro orante, o publicano, tem a atitude de um pobre que confia totalmente em Deus. Ele, humilhado e excluído pelo sistema religioso que o considera um pecador, é consciente de sua pequenez e de sua dependência de Deus. À medida que o "justo" rompe a comunhão com o próximo, ele rompe a comunhão com Deus.

Isto posto, eu te pergunto, caro e-leitor: você é um fariseu ou um publicano? De que lado você se coloca?

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

Aos invés de perguntar, pense à vontade e depois me escreva.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspor.com.

1/3/2008 13:15:51

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