domingo, 23 de março de 2008

Por quê? (66) A vida é uma viagem

Cláudio Amaral

Certo dia, no final de abril de 2005, sem mais nem menos, uma pessoa se juntou ao grupo em que eu estava, em frente à Catedral de Franca (SP), e nos contou o seguinte:

“A vida é uma viagem. Ela começa quando saímos do útero materno e embarcamos num trem. O trem da vida. Nele encontramos duas pessoas: os nossos pais, que, acreditamos, farão conosco a viagem até o fim. Infelizmente, entretanto, eles desembarcam em alguma estação – muitas vezes sem aviso prévio – e nos deixam órfãos de carinho, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes e especiais: nossos irmãos, amigos e amores. Tem pessoas que tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, pessoas que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando descem, ninguém percebe. Alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso e isso nos obriga a fazer a viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com mais ou menos dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitar a realidade quando não podemos sentar ao lado de quem mais gostamos, pois outra pessoa está ocupando esse lugar. Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabendo que esse trem jamais volta, tem quem faz essa viagem tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto poderá fraquejar. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, quando isso acontece, certamente, alguém nos entende. O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos. É isso que torna a nossa viagem cada vez mais interessante”.

Dito isso, a pessoa virou as costas e saiu.

Deixou-nos todos pensativos, como se cada um estivesse se perguntando: “E eu, o que estou fazendo nesse trem?”

Segundos depois – segundos que mais pareceram dias –, alguém se virou para cada um de nós e perguntou: “E você? O que você está fazendo nesse trem?”

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

23/3/2008 04:58:26

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