quinta-feira, 6 de março de 2008

Por quê? (58) José Arnaldo

Cláudio Amaral

Com José Arnaldo não tinha meio termo: ou você o amava, ou o odiava.

Por quê?

Porque ele era um homem de opinião, decidido, posições firmes.

Com ele não tinha meias palavras.

Ou ele gostava ou não gostava.

Dos políticos profissionais, por exemplo, ele nunca gostou e sempre deixou isso muito claro.

Dos jornalistas bajuladores, adesistas, que se deixavam corromper, também.

No começo do meu namoro com a Sueli, minha sócia em tudo há 37 anos, eu não me bicava com ele.

E tinha lá os meus motivos: ele não nos dava moleza. Nunca deu. Tivemos que namorar e noivar às escondidas, muitas vezes. E eu nunca fui de fazer algo às escondidas.

“Filha minha tem que estar em casa às dez horas da noite”, ele dizia sempre. Alto e bom tom.

Quantas vezes Sueli e eu tivemos que sair do cinema antes do fim do filme para que ela não chegasse atrasada em casa, na Avenida Nelson Spielman, quase esquina com a Rua Paraná, em Marília (SP).

Ele era duro com tudo. Um implicante nato.

Mas, aos poucos, com o passar do tempo, eu fui compreendendo e entendo as posições de José Arnaldo.

E também com o passar do tempo ele foi mudando, amolecendo.

Especialmente depois que os netos começaram a chegar.

A Cláudia Márcia, a nossa primeira, sempre foi a queridinha do vovô Zéca.

Mas nem por isso ele gostava menos do André, que veio logo após a Claudinha, nem do Rogério, do Mauro, do Flavio, das Paulas, da Vanessa, da Thaís, da Renatinha, do Bruno, da Maíra, da Bethanea e do Primeirinho, do Daniel, da Gabriela e do André Luiz.

Ela amava todos os filhos (Zé Cláudio, Sueli, Paulo Cesar, Mario Marcio, Sérgio Luiz e Salete) e netos, sem distinção.

Assim como amava o Brasil, o Estado de São Paulo e Marília, aos quais defendeu sempre, nas trincheiras da II Guerra Mundial, quando lutou na Itália, ou dos jornais e das rádios para os quais trabalhou.

Foram mais de 40 anos de Jornalismo, que agora estamos resgatando, texto por texto, para publicação.

Vamos, Sueli e eu, resgatar a memória do saudoso José Arnaldo, que um dia, uma única vez, me deu um beijo no rosto, na plataforma de embarque do terminal rodoviário da Barra Funda, minutos antes de embarcar para Marília.

Foi a última vez que nos vimos e nos falamos, porque dias depois ele veio a falecer, em Marília, a cidade que ele mais amou. E como amou.

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

6/3/2008 20:17:22

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