Por quê? (51) Falhamos
Cláudio Amaral Quisera eu voltar, novamente, alguns anos da minha vida, tal qual me senti no episódio descrito na crônica anterior. Alguns poucos anos seriam suficientes para relembrar o quanto os usuários de ônibus, de trens e do Metrô paulistano eram gentis, cavalheiros, solidários, educados. Tenho visto e sentido na pele, de algumas semanas para cá, que os cavalheiros estão rareando nos coletivos do transporte público. E hoje, comentando o assunto com um conhecido que tem dificuldade para caminhar, confirmei a minha suspeita: o cidadão em geral e os jovens em particular já não se preocupam com a presença ao seu lado de alguém mais velho, mais fraco, debilitado, enfim. Nem mulher grávida tem se beneficiado mais das gentilezas de jovens do sexo masculino. Eles – tanto os homens quanto as mulheres, jovens ou nem tanto – já não se levantam para que os mais velhos viagem sentados. “Pelo contrário”, disse-me o tal conhecido meu. E acrescentou: “Eles fingem que estão dormindo só para não s...