quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por quê? (4) Polinho

Cláudio Amaral

É domingo, 4 de novembro de 2007.

O dia nasceu chuvoso.

Aliás, choveu a noite toda.

Mesmo assim, acordamos cedo. Algo como 7h15. E meia hora depois estávamos prontos para ir à missa.

Olhei no relógio da cozinha e, diante da hora, 7h45, decidi: vamos à padaria antes da missa.

Ao sair de casa, direcionei o carro no sentido contrário ao da igreja e fomos à Amanda, a melhor padaria da região, na Rua Dr. Nicolau de Souza Queirós.

Da padaria, rumamos para a esquina da Avenida Vergueiro com Nicolau, a primeira rua em que moramos após o nosso (meu e de Sueli) casamento, em setembro de 1971.

O farol estava fechado.

Sugeri que comêssemos um brioche, meio a meio, mas ela não quis.

“Só após a missa”, ordenou.

O farol abriu, sinalizei que iria entrar à esquerda assim que atravessasse a pista sentido bairro-centro da Vergueiro, engatei a primeira marcha e acelerei.

Dois metros antes de completar a travessia, olhei para a minha esquerda e percebi que um automóvel cinza vinha em alta velocidade e pressenti que não pararia, embora o farol estivesse vermelho para ele.

Ato contínuo, acelerei, mas, infelizmente, não o suficiente para livrar o meu Polo Classic da fúria do adversário.

A batida foi violenta, barulhenta e arrasadora.

Felizmente, ou melhor, graças a Deus, ao nosso bom Deus, a quem tanta devoção temos, todos lá de casa e da família, a colisão foi na porta traseira, logo após o banco do motorista.

O susto foi grande. Muito grande. Mas, além dos danos materiais, ficamos no susto, apenas. Eu, minha mulher e os dois jovens do carro que nos abalroou.

Em pé, fora do Polo, perguntei ao passageiro, Guilherme:

“O que aconteceu? Por que o carro de vocês não parou, se o farol estava vermelho?”.

“Porque o Bruno falava ao celular”, ele me respondeu.

Cara a cara com o motorista adversário percebi que não fora bem assim. Ele até podia estar ao celular, mas os olhos e o bafo indicavam que eles vinham de uma festa.

Passado o susto, fiquei a me perguntar: por que os motoristas falam ao celular enquanto dirigem? Por que eles insistem em fumar ao volante? Por que eles comem ou bebem (ainda que seja água) ou chupam sorvetes enquanto conduzem os respectivos veículos?

Agora, 13h24 deste mesmo domingo ainda chuvoso, eu não paro de me perguntar.

E me pergunto: daria para estacionar em local seguro quando você, motorista, fosse chamado ou tivesse necessidade de falar ao celular?

Daria para evitar dirigir após uma bebedeira? Seria possível tomar um pouco mais de cuidado ao volante?
Se não for pela sua vida, pelo menos pelas vidas de um casal que gosta muito de viver, que curte muito a vida e que vive um período de felicidade inenarrável graças à chegada da primeira netinha, uma menina linda, graciosa e farrista?

Em tempo: graças a Deus, Be(bê)atriz, vovó e vovô continuam vivos, fortes e com saúde suficiente para curtir você e cuidar de você enquanto papai e mamãe trabalham.

Graças a Deus!

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

4/11/2007 14:02:07

Nenhum comentário: