quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por quê? (37) Vírgula


Cláudio Amaral

Exercendo a função de editor, em jornal ou em revista, sempre tive o maior cuidado com os títulos.

Para quem não sabe, fui editor no Jornal do Comércio de Marília (SP), no Diário do Povo de Campinas, na revista A Verdade, no Correio Braziliense, nos Diários Oficiais do Estado de São Paulo, n´O Estado de Mato Grosso do Sul e no Comércio da Franca.

Evitei a todo custo o uso de artigos nos títulos.

Palavras desnecessárias, nem pensar.

Nem nos títulos, nem nos textos.

Ou seja, encher lingüiça, como se diz na linguagem jornalística quando o repórter ou redator escreve além da conta, jamais.

Era, sou e sempre serei chato ao extremo em matéria de títulos e textos.

É por isso que fiquei indignado ao ler o caderno de esportes do Estadão na manhã desta quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008.

Por quê?

Quem leu o mesmo caderno sabe bem do que estou escrevendo.

No texto auxiliar da reportagem principal da capa do caderno, lemos: “O rebelde Léo Lima, outra novidade no time” (artigo e vírgula).

No rodapé: “O líder Guaratinguetá tem planos atrevidos” (o autor preferiu usar o artigo a utilizar mais uma vírgula, com a qual o título poderia ficar “Líder, Guaratinguetá...”).

No alto da página 2: “Acosta, arma da vez no Corinthians” (mais uma vírgula).

E outros três títulos da página têm vírgulas: “Para Mano, os grandes estão no mesmo barco”,
“Sem vencer há três rodadas, a Portuguesa pega o Paulista” e “Favorito, Noroeste viaja para enfrentar o lanterna Rio Preto”.

Na página 3, outros dois títulos com vírgulas: “Scolari e Capello, atrações de agitada Quarta-Feira de Cinzas” e “Luciano, o ‘anônimo’ campeão mundial”.

Na quarta e última página (ufa!), apenas um título com vírgula: “Na Turquia é mais fácil, explica Bobô”.

Em compensação, tomem artigos desnecessários: “Dunga deixa olímpicos de lado e escala ‘velhinhos’ contra a Irlanda” (por que não “...contra Irlanda”?) e “O estádio Croke Park já foi palco de massacre” (por que não “Estádio de Dublin foi palco de massacre no início do século” ou “Torcedores e jogador morreram no estádio”?).

Sei de longa data que é fácil criticar o jornal no dia seguinte, sentado à mesa do café, em casa, de cabeça fresca.

Mas, ao mesmo tempo, é impossível perder a oportunidade de analisar o caderno de esportes do Estadão numa edição tão confusa como a desta quarta-feira.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

7/2/2008 00:05:55

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