quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por quê? (16) Amigos

Cláudio Amaral

Hoje, 24 de dezembro de 2007, deixo de escrever uma crônica para digitar uma carta.

Uma carta endereçada a Amigos (com A, perceberam?) como Carlos Conde, Daniel Pereira, SirCarlos Parra Cruz, Osvaldo Martins, Juan Garrido, Eduardo Martins (meu Mestre), Carmo Chagas, Alberto Luchetti, José Marqueiz, Nelson Urt, Eduardo Carvalho, José Paulo Kupfer, Bia Bansen, José Antônio Rodriguez, o Zelão, e tantos outros.

O que eu tenho para lhes dizer, hoje, à porta do Natal, Amigos, é o seguinte: nós, nós todos, jamais deveríamos ter deixado as redações.

Por quê?

Porque nós, nós todos, fazemos falta nas redações.

Nós e gente como o Miguelão (é assim, não é, Bia, que vocês, os Amigos, tratam o ministro Miguel Jorge?).

Ah, vocês querem uma prova, uma justificativa para esta (ou seria ‘essa’?) minha afirmação?

A prova, ou melhor, as provas estão diariamente nas páginas dos jornais, todos os jornais.

Que horror, Amigos!

Como estão mau (ou seria ´mal´?) feitos os nossos jornais.

Dias atrás, por exemplo, eu me indignei com uma reportagem a respeito da morte do ator Norton Nascimento.

O autor, jornalista conceituado, ia e vinha (ou seria ´foi e voltou´?) na biografia do falecido e no fim me deixou com um montão de pontos de interrogação na cabeça.

Os pontos de interrogação fartaram-se (não confundam, compadre, sogrão e demais Amigos, com ´faltaram´; não confundam)... os pontos de interrogação fartaram-se na minha cabeça também na notícia (ou seria ´registro´?) da morte de uma jovem de 21 anos em conseqüência de acidente de carro ocorrido na Avenida 23 de Maio, no mesmo dia do falecimento do Norton.

Hoje, assim que cheguei da missa das 7h15, peguei o Estadão.

Sim, Amigos, o Estadão, em cuja Redação (com R, como lá nos ensinaram) nós trabalhamos: eu, Eduardo, Conde, Daniel, Sir, Urt, Marqueiz, Oliveiros Ferreira, Miguel Jorge e tantos outros.

Foi começar a ler e a passar raiva.

Exemplos?

Ah, vocês querem exemplos?

Então, tá!

Leiam, por exemplo, a coluna do Neto, um dos maiores ídolos do meu (do nosso, não é, Edu, o Carvalho) Corinthians.

Sim, eu sei que ele não é jornalista.

Mas nem por isso ele tem o direito de escrever como escreve: irresponsável! Sem estilo! Confundindo os tempos verbais!

Se eu pudesse, eu diria a ele: “Neto, como cronista, você foi um excelente jogador de futebol. E só”.

Outro exemplo?

Pois então confiram os tempos verbais do primeiro parágrafo da notícia “Inter bate Milan e segue em 1º”.

E por hoje chega, Amigos.

Vou andar no Parque da Aclimação, que eu ganho mais, muito mais.

Depois?

Ah, depois eu vou ler El País em espanhol, porque, embora eu tenha estudado a língua de Miguel, o Cervantes, por quatro anos, lá pode ter quantos erros de ortografia, concordância, etc., que eu não vou nem perceber, nem me irritar.

E por hoje... chega!

Por quê?

Porque é Natal, gente!

É Natal!

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

24/12/2007 09:37:24

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