quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por quê? (2) Sexta-feira?

Cláudio Amaral

Segunda-feira, 8/10/2007, pós-vitória gloriosa e inesquecível do Timão sobre o SPFC, 1 a 0, pelo Campeonato Brasileiro de 2007, no Morumbi.

São 17h32 e estou na esquina da Avenida Paulista com a Rua Carlos Sampaio, bem em frente ao Colégio Estadual Rodrigues Alves.

Entre um grupo de colegiais, todas com menos de 18 anos de idade, creio, uma diz em voz alta:

- Hoje, pra mim, é sexta-feira.

“Por que ela teria dito isto?”, me pergunto.

Viro imediatamente e fixo o olhar naquelas jovens, todas meninas, ainda.

Penso em indagar a autora da frase, mas não a identifico no meio do grupo.

Por isso, nada mais pude fazer do que ficar com a minha dúvida.

E com ela, a minha dúvida, continuei a caminhar pela Avenida Paulista, rumo ao Paraíso e depois em direção a Aclimação, onde resido há 36 anos e a qual batizei, há anos, como “o bairro mais agradável de São Paulo”.

Uma e outra frases custaram a sair da minha mente.

Só saíram quando uma outra dúvida tomou conta dos meus pensamentos: se eu tivesse identificado a jovem que disse “hoje, pra mim, é sexta-feira”, será que eu teria coragem de abordá-la?

Será?

Sim, porque não é sempre que a gente – eu, pelo menos – tem coragem de se dirigir a quem não conhecemos.

Ainda mais para perguntar: “Por que você disse isto, ou seja, por que você afirmou às suas colegas que hoje, pra você, é sexta-feira?”

Por quê?

Porque, sim, oras bolas.

“Porque, sim” não é resposta, diriam os meus filhos.

A verdade é que não sei o porquê.

Sei, apenas, que esse “por quê?” ficou na minha cabeça a me atormentar e só aumentou a minha dúvida.

E você, caro leitor, sabe me dizer por quê?

Você também está na fase dos por quês, como eu?

Você tem idéia, a mínima idéia que seja, do porquê que levou aquela colegial da Avenida Paulista a dizer: “Hoje, pra mim, é sexta-feira”?

Seria ela uma torcedora do Tricolor do Morumbi e, por conseqüência, estaria ela de cabeça inchada?

Sim ou não?

Por que, então?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

8/10/2007 19:10:00

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