quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por quê? (5) Flamengo

Cláudio Amaral
Meus Amigos que torcem pelo Flamengo que me desculpem pela sinceridade, mas nunca tive simpatia alguma pelo rubro-negro do Rio de Janeiro.

Por vezes, muitas vezes, senti raiva do Mengão.

Por quê?

Os motivos são muitos e o primeiro deles vem de longe, muito longe.

Eu era criança pequena lá em Adamantina, a 600 quilômetros da capital paulista e, quando eu mais queria um disco com o hino do meu time, o Corinthians, meu pai apareceu em casa com um 78 rotações que de um lado trazia gravada uma música cujo refrão era assim:

“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”.

Eu queria morrer, mas o velho e querido Lazinho havia arrematado um lote de discos numa liquidação e no meio de dezenas de bolachões de vinil viera o hino do Flamengo.

Os anos se passaram e eu até torci pelo sucesso de jogadores como Zico, Júnior (que muitos anos depois veio a trair o meu Corinthians), Romário e outros ídolos da maior torcida de futebol do Brasil.

Porém, ai porém, quando eles jogavam com a camisa da seleção brasileira.

Com o uniforme do Flamengo, não.

Por quê?

Exatamente por causa desta farsa de a torcida do Flamengo ser maior do que a do Timão.

Farsa? Por quê?

Sim. Farsa da rede Globo, que, quando ainda não tinha condições técnicas nem financeiras para regionalizar as transmissões de futebol, nos domingos à tarde, mostrava os jogos do Corinthians para o Estado de São Paulo e as partidas do Flamengo para os outros Estados.

Por quê?

Tudo porque o dr. Roberto Marinho, dono e todo poderoso da Globo, era flamenguista doente.

Este ano, entretanto, eu me vi torcendo pelo Flamengo.

Por quê?

Ora, porque o rubro-negro deu uma virada fantástica, histórica, emocionante, durante o Brasileirão.

Chegou a estar na penúltima colocação e hoje, domingo, 11, venceu o vice-líder Santos FC e está dando mostras de que pode terminar o campeonato à frente do time de Pelé.

Por mais corintiano fanático que eu seja não dá para ignorar a reação comandada pelo assustadoramente feio Joel Santana, treinador do Flamengo.

Não dá também para não se emocionar com a nação flamenguista, que levou mais de 82 mil torcedores ao jogo e lotou o Maracanã contra o Santos FC.

Por quê?

Não sei. Só sei que chorar, rezar, pedir ajuda a Deus todo poderoso, como eu fiz durante o jogo desta tarde, Goiás 1 x Corinthians 1, só faço pelo Timão e para que ele não caia para a segunda divisão.

Agora, emoção, emoção gostosa, eu tenho sentido, mesmo, é pelo Flamengo.

Ou melhor: por causa da torcida do Flamengo.

Por quê?

Diga-me você, caro leitor, se for capaz.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

11/11/2007 21:32:57

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